Este ano, o Clube propõe-se a identificar as tradições comuns, nos diferentes países da Europa, e dá-las a conhecer através de atividades nas turmas.
Celebrámos o Halloween com  a interpretação de uma estória (por nós criada) terrífica que partilhamos...



O pesadelo da Raquel!

Era uma vez uma linda menina… mas muito teimosa e desobediente. Fazia sempre tudo o que queria, amuando cada vez que era contrariada pelos adultos. Não gostava de brincar com bonecas nem ursinhos de peluche. Gostava de ir ao sótão remexer nos antigos baús para ver se descobria… coisas estranhas e sombrias.
Um dia levantou-se e olhou pela janela. Ficou a olhar fixamente a floresta que havia junto à sua casa. Contavam os mais velhos que viviam lá umas bruxas muito malvadas. Raquel não teve dúvidas – “É isso!” – exclamou. –“Tenho de ir investigar. Tenho de descobrir o que elas lá guardam.” Vestiu-se rapidamente e desceu a escada o mais rápido que pôde para ver se ninguém a via a sair de casa (com certeza que a sua mãe a iria impedir de ir).
Andou durante cerca de uma hora. Começou a sentir-se cansada. Sentou-se debaixo de uma árvore e adormeceu. Quando acordou já tinha escurecido. Um fraco luar espreitava pelo meio das árvores. Estremeceu. “E agora?” – pensou – “Como vou voltar para casa?”. Mas logo sacudiu a cabeça, encheu o peito de ar e exclamou em voz alta – “Eu já sou crescida! Apenas os bebés sentem medo. Nada me fará demover da minha missão. Tenho de encontrar a casa das bruxas.” Começou a andar. Passado algum tempo viu uma luz trémula. Dirigiu-se para ela. “Uma casa! Encontrei.” A porta estava entreaberta. Assim que entrou uma forte corrente de ar soprou, fechando a porta atrás dela e apagando a já gasta vela. Raquel não tinha alternativa. Às apalpadelas tentou encontrar algo conhecido. Deu dois passos e bateu numa coisa dura… metal, sim, era frio como o ferro. “Um caldeirão…” – pensou. Continuou. As suas frágeis mãos sentiram o que lhe pareceu ser uma bancada de madeira. Em cima umas colheres espalhadas, uns pratos de barro e uns sacos. “Comida” – exclamou, “Que bom, estou cheia de fome!” Raquel pegou num dos sacos e levou-o para junto de uma pequena janela que se encontrava entreaberta. Colocou a sua mãozinha lá dentro. Sentiu algo redondo e macio, ligeiramente húmido. “Deve ser fruta” – pensou. Quando tirou um pedaço para fora, reprimiu um grito ao aperceber-se do que era – um fraco raio de luar brilhou no branco de um olho. “Não me posso deixar impressionar. Tenho de continuar à procura” – disse. Pegou noutro saco. Abriu. Confiante enfiou a mão. Sentiu algo mole. “O que será?” – não tardou a ter a resposta. O luar refletiu a imagem de mais uma descoberta macabra – miolos. De quem seriam? Estremeceu. Subitamente a porta abre-se. Três bruxas aparecem. “Quem és tu e o que fazes aqui?” – perguntam, num tom de voz assustador. Raquel levanta a cabeça, tenta recompor-se rapidamente do susto e responde com toda a confiança que consegue arranjar – “Chamo-me Raquel. Encontrei a vossa casa e decidi entrar para descansar um pouco.” – “Mentes!”, exclama uma das bruxas. “Vieste para remexer nas nossas e roubar os nossos feitiços e por isso vais ser castigada.” – “Não!”, exclama Raquel. Sem que ela pudesse dizer mais uma palavra, a segunda bruxa lança-lhe um feitiço que a deixa imóvel para sempre. “Isto é para aprenderes a não seres mais desobediente e para nunca mais mexeres no que não é teu. Aflita, Raquel tentou gritar, chamar pela sua querida mãe, mas os sons não saíam. As lágrimas começaram a rolar pela sua linda face. De repente, parece-lhe ouvir o seu nome muito ao longe… O som aproxima-se cada vez mais - “Raqueeel!”. É a voz melodiosa da mãe. O som torna-se cada vez mais forte. “Raqueeeel! Acorda querida! Raquel!” – Com grande esforço consegue finalmente abrir os seus lindos olhos. “Mãe!” – exclama. “És mesmo tu? Mas… e as bruxas? Elas não te fizeram mal? Estou tão feliz por te ver novamente! A já me posso mexer! Quebraste o Feitiço! Obrigado mãe!”.
Claro que tudo não tinha passado de um sonho, mas a partir desse dia Raquel passou a ser a menina mais obediente e querida daquela aldeia. Já adulta costumava dizer – “Eu já não acredito em bruxas… mas que as há, há!”

Rachel’s nightmare!
Once upon a time there was a beautiful girl ... but also very stubborn and disobedient. She always did everything she wanted, pouting every time she was contradicted by adults. She didn’t like to play with dolls or teddy bears. She liked going to the attic rummaging through old chests to see if she could discover ... strange, dark things.
One day she got up and looked out the window. She stared fixedly at the forest which was near her home. Some elders told her once that very wicked witches used to live there. Rachel had no doubts - "This is it!" – she exclaimed. - "I have to investigate. I have to figure out what they keep in there. "She got dressed and went downstairs as fast as she could to see if anyone saw her leaving the house (her mother would surely try to stop her from going).
She walked for about one hour. Then Rachel began to feel tired. She sat down underneath a tree and fell asleep. When she woke up it had darkened. A faint moonlight peeked through the trees. She shuddered. "What now?" - she thought - "How will I get home?". But then she shook her head, filled her chest with air and cried out - "I'm a grown up girl now! Only babies feel scared. Nothing will stop me from finishing my mission. I have to find the house of the wicked witches." She started walking again. After a while she saw a flickering light. Rachel walked towards the light. "A house! That must be it!" The door was slightly open. As she entered a strong waft of air blew, closing the door behind her and extinguishing the candle light inside. Rachel had no alternative. She started groping trying to find something familiar.
She took two steps and hit a hard metal thing ... yes, it was as cold as iron. "A caldron ..." - she thought. She continued. Her fragile hands felt what appeared to be a wooden workbench. On the workbench she found a couple of tablespoons spread all over, some pottery dishes and two small bags. "Food!" – she exclaimed, "Good, I'm starving!" Rachel grabbed one of the bags and took it to a small window that was slightly open. She put her little hand inside. Rachel felt something round and soft, slightly damp. "It must be fruit" - she thought. When she took it out, she stifled a scream as she realized what it was - a faint ray of moonlight glinted on the white of an eye. "I cannot let myself be impressed by this. I have to keep on looking "- she said. She grabbed another bag. She opened it. Full of self-confidence, she stuck her hand inside. She felt something soft. "What is it?" – She would soon have the answer. The moonlight reflected the image of another grisly discovery - brains. From whom would they be? She shuddered. Suddenly the door opens. Three witches appear. "Who are you and what are you doing here?" – they asked, in a scary tone of voice. Rachel lifts her head, trying not to look scared and responds as confident as she can - "My name is Rachel. I found your house and I decided to get some rest. "-"You’re lying!", exclaims one of the witches. "You came to rummage through our things and steal our spells and because of that you'll be punished." - "No!", exclaimed Rachel. She couldn’t say another word because the second witch casted a spell that left her unable to move. "This will teach you not to disobey again and not to rummage through other people’s belongings.” Desolated, Rachel tried to scream, she tried to call for her dear mother, but no sounds came out of her mouth. Tears began to roll down her pretty face. Suddenly, Rachel heard her mother’s voice from far, far away ... The sound was getting closer and closer - "Racheeeeeel!". It was the beaufiful voice of her mother. The sound became increasingly stronger. "Racheeeel! Wake up honey! Rachel! "- With great effort she finally opened her beautiful eyes. "Mother!" - Exclaims. "Is it really you? But ... what about the witches? They didn’t hurt you, did they? I'm so happy to see you again! You broke the spell! Thank you mother! ".
It was only a dream, but from that day on Rachel became the most beloved and obedient girl in that village.
When she grew up she used to say - "I no longer believe in witches ... but they really exist!"